|
Ontem fui a uma aula do professor Rogério da Costa na PUC de São Paulo.
Creio que era uma aula voltada para o mestrado ou doutorado, não estou bem certo. E também não sei o nome da disciplina.
Mas vamos ao que interessa.
Huuummmm... Foi uma aula de três horas. Liberalismo, neo-liberalismo, soberano, governo, governança, povo, população, capitalismo, mercado, mercantilismo, o mercado não é bom nem ruim. Estas são as tags.
Mas o que realmente me deu o "insigth" foi a parte que o professor disse:
"Não existe governo neo-liberal, ou governo liberal. O governo é feito de pessoas. Existe sim um governo com técnicas neo-liberais ou liberais."
Interessante, né?
Isso vai ao encontro de uma idéia que tenho há muito tempo de que o governo, de uma forma ou de outra, representa a população. Por favor não confundam aquela máxima de que "cada povo tem o governo que merece".
Não é nada disso. No que encontrei eco foi numa idéia que tenho de que, bem ou mal, a técnica de governar é originária da população sobre a qual este governo é exercido.
Exemplo (que as pessoas da aula não gostaram muito) o nepotismo poderia ser considerado uma técnica de governança.
Dirá você irritado: nepotismo é "do mal", é crime, é isso é aquilo e etc.. e etc... e etc.... Bem, mas se o nepotismo é uma técnica de governança utilizada amplamente pela população, por que o estranhamento ao vê-la acontecer no Estado?
É óbvio que para pensar desse jeito é necessário deixar a questão moral de lado. Parênteses - segundo o Direito, a lei está dentro da moral. São, por assim dizer, círculos concêntricos. Não existe lei fora da moral - fecha parênteses.
Pois é. Se um parte da população acredita que o nepotismo está dentro da moral e a moral contem, no sentido matemático da palavra, a lei, não é de se estranhar que o nepotismo apareça como técnica de governança no Estado.
Neste ponto, o professor não concordou com o meu termo "técnica". A única outra palavra que me vem a mente é "status quo" (talvez). Ou seja, a prática do nepotismo implicaria (também no sentido matemático) o uso de determinadas técnicas e não outras.
Não quero dizer que o governança do Estado reflete os costumes do população (e não povo), mas creio que há uma simbiose forte entre esses dois. Uma espécie de lei de causa e efeito.
Conclusão: creio que a forma com que o Estado exerce o governo está intimamente ligado com as formas de governança que a "sociedade civil" aplica no seu dia-a-dia.
Não estou fazendo o curso. Fui lá apenas como ouvinte para afunilar minhas idéias de mestrado. Mas espero que o Foucalt não dê voltas em seu túmulo em razão de minha conclusão audaciosa.
Há!
:D
|